domingo, 20 de julho de 2008

Leonard Cohen: He`s my man

Durante 15 anos privou-nos de o vermos em palco e, seguramente, esperei por ele bem mais do que isso.
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A experiência de assistir ao concerto de Leonard Cohen, ontem, no Passeio Marítimo de Algés foi a mais sublime e memorável que posso guardar, e o melhor concerto a que já assisti. Os ingredientes estavam todos reunidos: um público faminto de o ver e ouvir, a sensualidade daquela voz cavernosa e ainda fresca, a leveza com que esteve e saía do palco, como nos brindou com a amabilidade de quem visita os amigos distantes.
Às 21h em ponto, vi Mr. Cohen e os músicos que o acompanharam a subirem as escadas que davam acesso ao backstage e larguei e imensa fila para comprar alguma coisa para jantar, procurando um lugar o mais próximo possível do palco. Durante 3 horas sem uma gota de água e o estômago colado às costas, cantei e vibrei, embalada pelos ritmos, envolta numa redoma de emoção e felicidade potenciada pela energia que emanava da imensa multidão igualmente grata por Lisboa estar incluída nesta que se adivinha a última tour mundial de Leonard Cohen.
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"Dance me to the end of love", ainda sob a luz de Lisboa, deu o mote. «The future», «Ain't no cure for love», «Bird on the wire», «Everybody knows», foram alguns dos sucessos da 1ª parte. A cada uma delas o público aplaudiu freneticamente, como se aquela fosse a última das canções da noite.
Avisados de que haveria um intervalo de 20 minutos (aproveitado por alguns - eu inclusivé - para se aproximarem ainda mais do palco), o público exigia a presença de Cohen com aplausos insistentes.
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De novo em palco, o público cantou em uníssono «Suzanne» e bem alto o refrão de «Tower of song», «Hallelujah», «Democracy», «I'm Your man», «Take this walz», «So long Marianne», «First we take Manhattan»... Em jeito de despedida, Mr. Cohen deixou-nos, como ele próprio disse, uma oração:

«If it be your will
That I speak no more
And my voice be still
As it was before
I will speak no more
I shall abide until
I am spoken for
If it be your will
If it be your will
That a voice be true
From this broken hill
I will sing to you
From this broken hill
All your praises they shall ring
If it be your will
To let me sing
From this broken hill
All your praises they shall ring
If it be your will
To let me sing(...)»
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Quase três horas passadas, adivinhava-se o momento da partida. «Closing Time», cantado em uníssono, foi muitíssimo aplaudido.
"In the name of the crew and the band, i want to thank you for this memorable evening. So kind of you to receive us so warmly" - disse Leonard Cohen, ao que o público gritou: "We love you", seguido de novo aplauso intenso e de geribérias que lhe foram atiradas para o palco. Mr Cohen recebeu-as e destribuiu-as pelas meninas que fizeram o suporte vocal.
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O público não queria despedir-se. Leonard Cohen sentiu-o.
Reuniu em palco equipa técnica e músicos e sob os aplausos sonoros, abraçados, cantaram, despedindo-se dos milhares de fãs. Abandonaram o palco.
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Estou ainda sob a energia deste concerto memorável, de facto. E emocionada. Foi perfeito, no mais elevado padrão de excelência que a perfeição possa ter. Só faltou a possibilidade de lhe falar pessoalmente.

3 comentários:

Cpt Jack Sparrow disse...

Bemmmmmmm tu estás em alta sem duvida. Num pequeno espaço de dias Peter Murphy e Leonard Cohen. Para quê comer se tens a barriguinha cheia de excelentes momentos?
Fico muitissimo feliz por ti, dado saber que querias muitoooooo ver esses concertos. Eu fico com uma pequenina ponta de inveja por não ter podido ir ver também. Ainda tenho esperanças em vê-lo em Roterdão a 3 de Novembro.
Beijinhos e boa semana de trabalho.

joana disse...

Só para deixar um beijinho!!!!

manyfaces disse...

Been there. a night to remember