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sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Morre Lentamente

«Morre lentamente quem não viaja, quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
L
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
L
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos,
quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
L
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
L
Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
L
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atras de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
L
Morre lentamente,
quem abandona um projecto antes de inicia-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
L
Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar.
L
Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade."
L

Pablo Neruda

domingo, 24 de agosto de 2008

Jorge Luís Borges

«Si pudiera vivir nuevamente mi vida,
en la próxima trataría de cometer más errores.
No intentaría ser tan perfecto, me relajaría más.
Sería más tonto de lo que he sido,
de hecho tomaría muy pocas cosas con seriedad.
Sería menos higiénico.
Correría más riesgos,
haría más viajes,
contemplaría más atardeceres,
subiría más montañas, nadaría más ríos.
Iría a más lugares adonde nunca he ido,
comería más helados y menos habas,
tendría más problemas reales y menos imaginarios.
L
Yo fui una de esas personas que vivió sensata
y prolíficamente cada minuto de su vida;
claro que tuve momentos de alegría.
Pero si pudiera volver atrás trataría
de tener solamente buenos momentos.
L
Por si no lo saben, de eso está hecha la vida,
sólo de momentos; no te pierdas el ahora.
L
Yo era uno de esos que nunca
iban a ninguna parte sin un termómetro,
una bolsa de agua caliente,
un paraguas y un paracaídas;
si pudiera volver a vivir, viajaría más liviano.
L
Si pudiera volver a vivir
comenzaría a andar descalzo a principios
de la primavera
y seguiría descalzo hasta concluir el otoño.
Daría más vueltas en calesita,
contemplaría más amaneceres,
y jugaría con más niños,
si tuviera otra vez vida por delante. (...)»
L

Instantes, Jorge Luís Borges




Jorge Luís Borges, um dos mais brilhantes autores de todos os tempos, nasceu neste mesmo dia em 1899, na Argentina.
Faleceu em 1986 cego, doente, e na expectativa do Nobel que nunca lhe foi entregue.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Luíz Pacheco

O Libertino que passeou por Braga, partiu a noite passada, com todo o seu esplendor.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Entre um salão antes da Rev. Francesa e um bunker depois da III G. M.

«Merteuil:
- Imundície por imundície. Quero que me cuspis em cima»
L
in Quarteto, Heiner Müller


Considerado o maior nome do Teatro Alemão do fim do milénio passado, Müller chega aos palcos Portugueses em 1984, pelo Teatro da Cornucópia com "A Missão".

"Quarteto", escrito em 1980 e encenado por cá pela primeira vez por Jorge Silva Melo oito anos depois, é provavelmente o texto do autor mais vezes encenado mundo afora. De facto, não se consegue ficar indiferente à brutalidade da escrita, ao peso das palavras, à dança da relação entre os sexos apresentada tal como ao autor parecem verdadeiros, sem lugares comuns ou recalcamentos.

Em 1995, foi nomeado director artístico do Berliner Ensemble, antiga companhia de Brecht, pouco antes do seu falecimento, no dia 3o de Dezembro.