Quarta-feira, 3 de Agosto de 2011

Uma história simples

«O meu peito estava quente, o meu coração pensativo. (...) Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. (..) Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade ía ser sempre clandestina para mim. Parece que já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, quase em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.»


Clarice Lispector, Felicidade Clandestina

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