sábado, 14 de junho de 2008

Alma Lusa

Frequentemente manifesto o meu desagrado pela conversa terceiro-mundista de um novo-riquismo atroz que insiste que tudo lá fora é melhor que em Portugal, seja no âmbito da educação, da saúde, da condução, etc.
Com certeza que gostava que no meu país o investimento na Investigação e Desenvolvimento se se aproximasse ao dos EUA, e que a qualidade de vida se assemelhasse a um dos países Escandinavos.
A questão é que as generalizações, que mais não são que o resultado de experiências subjectivas do observador em determinado momento da sua história pessoal, num contexto social mais amplo, são sempre perigosas.
Não que seja ilucidativo, mas o texto escrito por um jornalista do Público no blog que acompanha o Euro 2008, ilustra-o.
L
«Como eu me lembro do pânico que se instalava em Portugal quando se falava em eventuais atrasos nas obras de acesso aos estádios de futebol construídos ou renovados para o Euro 2004.
Como me recordo da histeria com a imagem que o país iria dar se o parque de estacionamento não estivesse pronto, o passeio arranjado, as paredes limpas de grafitis, as indicações bem colocadas...
As vezes que ouvi dizer mal da organização portuguesa, da ignorância dos voluntários para prestar informações válidas, da exiguidade de algumas salas de imprensa, apesar de estarem instaladas em pavilhões amplos e não em tendas montadas ao lado de linhas de caminho de ferro, como agora.
No final, choveram elogios e o Euro 2004 foi considerado o melhor de sempre. E, para aqueles que quiserem comprovar como o título foi justamente atribuído, convido-os a experimentar os apertados estádios suíços, as auto-estradas em obras, as salas de imprensa minúsculas, os voluntários que pouco mais são do que um bando de gente voluntariosa deste Euro 2008, supostamente evoluído e de primeiríssimo mundo...
Nada como sair um pouco de Portugal para colocar tudo em perspectiva e perceber que nem tudo é assim tão mau como muitos dizem.
J.M.M.»

2 comentários:

joana disse...

Concordo com tudo!!! Só quando se sai de Portugal, se dá valor ao que temos... E acho que é esta mentalidade pequenina que "temos" que não nos leva mais longe...

Ontem eram uns heróis... hoje (depois de uma derrota previsível, não porque nós somos mais fracos, mas sim porque somos mais baixos, mais stressados e arriscamos menos - isto a meu ver e numa perspectiva social, pois de resto, sou uma leiga no futebol)são uma "bregonha" (como ouvi um distinto adepto português a pronunciar)... Há que ter orgulho, até na forma de perder... E tenho dito :)

Cpt Jack Sparrow disse...

Concordo com muito do que aqui se diz e se comenta. Eu que estou fora do país à relativamente pouco tempo, vejo por cá muita coisa em que o nosso Portugal fica àquem sem duvida. Vejo muita coisa em que poderíamos igualar os outros, mas...nós Portugueses também temos imensas virtudes. Somos bons a fazer imensas coisas. Na realidade, poderemos até ser vistos como parente pobre da Europa por alguns sectores da europeus, mas que o nosso país tem um encanto especial, ai isso tem, e ninguém nos consegue roubar esse encanto. Mas este tema, tem muito que debater. Daria um excelente assunto para um unico Blog.